Duas Tragédias da Masculinidade -
Primeira: O Banho.
Lavo,
Ó, minha
Mãe.
Amo
E aqui
Estou.
Lavo.
Tenho
O piedoso
Pé.
Choro.
Sou
Menino
E
Meu
Padrasto
Me consola.
Coisa
Triste
Não
Se saber
Recebido.
Ah,
Esses
Falsos
Pais,
Que
Não nos
Conduzem
A nada.
Ah,
Esses
Falsos
Pés.
Lavo.
Olho
O gigante
Dentro
De
Mim.
Sou
Eu mesmo,
Este
Gigante,
E
Ele
Dorme.
Tem
34
Anos
E
Fode
Com
Todas
As
Anas.
E quando
Eu
Digo
Anas,
É
Minha
Vontade
De
Foder
E
É
Com
Todas.
Louvo.
Louvo.
E oro.
Também
Olho.
Ó,
Ana,
Porque
Fazes
Isso
Comigo?
Largo
A
Mulher
Com
Seu
Misterioso
Ser.
Recolho-me
A
Um
Pátio
Misterioso.
Também
Eu estou
Misterioso,
E largam-me
Nesse pátio,
Nu
Em pêlo.
- Estou
Só,
Minha
Mãe.
Meu
Falo
Arqueia-se.
Olho-o.
Ele
Parece
Concentrar
Algo.
Sinto
Que
Vai
Explodir.
E,
De fato,
Escorre
Uma porra
Escura
E estranha.
É
Como
Se
Ele
Tivesse
Recebido
O beijo
Do mal.
Olho
Esse
Esperma
E o recolho.
São
Meus
Pensamentos
Maus.
Levo
De
Certo
Modo
Algum
Tempo
Até
Aceitá-lo.
Ligo
Essa
Substância
Lúgubre
Ao
Meu
Olho
E a adoro.
Levo-a
Com
Recato
À boca,
Para
Lhe
Sentir
O gosto,
E oro.
Ó, substância.
Ela
Esvazia
Meu
Cérebro
De
Certas
Imagens.
As
Bocetas
De mulheres
Falam
Ouro.
Agora,
Olho
Meu
Pau
E ele
Está
Caído.
- Fora
Arrancado.
A mulher
Que
Amo
O decepara
E o
Exibe
Como
Um troféu.
Mal
Tenho
Forças
Para
Gritar:
- Vadia!,
Filha
da puta!,
Eu
Quero
O
Meu
Pau.
E choro.
Choro
E como.
Chorar
Consola.
Comer,
Alivia.
Lembro
Da minha
Mãe,
Que
Me chamava
De
Marcus
(Como
No
Batismo
Sobre
A
Pia)
E
Me
Comia.
Ô,
Minha mãe.
Porque
Não
Me
Comes
Mais?
Lavo-me
Do
Sangue.
Aquele
Sangue
Também
Me
Expurgou
Algumas
Idéias
Sobre
Castidade.
Sinto
A traição
Da
Mulher,
Apenas
Preocupada
Em ter
Filhos
E dar
O seio.
Os
Homens
São
Seres
Decepados.
Levam
O
Meu
Pênis
E
Junto
A
Cabeça.
Logo
Haverá
Uma
Fileira
De
Mulheres,
Diante
Da qual
Se
Desfilam
As
Minhas
Partes.
O
Sangue
É
Ofertado,
Em
Nome
Da fertilidade,
E
Eu
Padeço.
Avalie
Uma
Mulher,
Mas
A
Avalie
Pelo
Útero.
Ali
Está
Um
Grande
Berro
Da natureza,
Como
Um
Bebê
Chorando
De
Fome.
A
Mulher,
Cega,
Não percebe
Que
Carrega
Na
Essência
Um
Grande
Apelo:
O grande
E
Infinito
Laivo
Do
Útero.
Cuspo
Agora
No
Chão
Daquele
Pátio.
Lavo
As
Mãos.
A
Soberania
Do
Útero
Me
Consola,
Me
Redime
Do
Meu
Próprio
Falo.
Já
Não
Fodo.
Calo.
Os
Banhos
De
Sangue
Em
Nome
Da
Elevação
Da espécie.
29 Maio 2006
25 Maio 2006

Momento
Olhem.
E
Esse
Olhar
É
Belo.
Estou
Misterioso
Como
Numa
Nuvem
De incenso.
Olhem.
E meu
Olhar
É longo.
Amanheci
E amareleci
No pé.
Estou tocado.
Tudo
Eu segurei
E foi
Do
Tamanho
Dos teus
Peitos,
Que me
Encheram
De alegria.
Abençoado
Olho,
E eu
Cresço,
Vasto.
Tenho
O teu
Tamanho
Se me
Ponho
Aos pés
Da jaqueira.
Aventura
Nupcial
Se lançou
Em mim.
Cruzo
Um deserto.
Os pais,
O pai,
Nos pediu
Esse feito.
Orem.
Tudo
É mistério.
Tudo
É perfeito,
Tudo
É
Perdoável.
Abro-te.
Você
Me é
A alegria
Dos
Olhos:
Rica
E forte,
Bons
Dentes.
Penso
No anel,
Penso
No anilhar-me.
Ocultas
Um segredo
De morte.
Anilhados,
Vamo-nos
Perdoar
Mutuamente.
Cuido
A hora
Do almoço.
Sei
Que vens
Coroar-me.
Eu já
Provei
De todo
Amargor,
Até intoxicar-me.
Arrancaram-me
O gosto
Como
Se me tivessem
Tirado
Os olhos
E o
Queixo.
Estive
A ponto
De
Cadáver.
Hoje,
Meu estômago
Se
Recupera.
Recebo
Teu
Beijo
E o sol
Volta
A me parecer
Eterno,
Bem como
O sossego.
A ponta
Do segredo
Repousa
Sobre
Nós,
Anjos
Tortos,
Decaídos
Na noite.
10 Maio 2006

Os ratos
De pêlos
E pés,
Os ratos
E suas patas.
Homem,
Quanto medo
No que tu
Passarás a ser.
O rato-homem,
Esse sinal
De pânico.
Quantos ratos,
Homem,
Te habitam
A cabeça.
Que consciência
É essa?
O rato
É frágil,
Suscetível
E feio.
Quanto
De rosto
Humano
(Eu não
Sou feio)
Há num rato.
Quanto
De ratos
Mo habitam.
Esgoto-
Homo.
Pai,
Salva-me
Com
Teu amor.
O horror
Do degredo.
Os sons
Do medo.
O sermos
Rato.
As profundas
Zonas
Da imaginação,
Que se
Referenciam
A si
Mesmas.
A zona horrenda,
Arrasada
Pela
Falta
De um espelho:
- Que me diga
De mim.
O quão
Humana
É minha
Mão.
O quanto
Recusei
Do que
Havia em
Mim:
Medo.
Lavo
Com minhas
Mãos.
Olho e sei.
O rato
Esconde-se.
É um ser fugido.
Não se ergue.
- Ergo-me.
Transcendo.
O olho
Do
Belo
Espanta
A imagem
Do rato
(O ser com medo).
O amor
Da bela
Faz-me
Crer
Na
Minha
Própria
Pureza.
Assinar:
Postagens (Atom)
