29 Maio 2006

Duas Tragédias da Masculinidade -
Primeira: O Banho.


Lavo,
Ó, minha

Mãe.
Amo

E aqui
Estou.

Lavo.
Tenho

O piedoso
Pé.

Choro.
Sou

Menino
E

Meu
Padrasto

Me consola.

Coisa
Triste

Não
Se saber

Recebido.

Ah,
Esses

Falsos
Pais,

Que
Não nos

Conduzem
A nada.

Ah,
Esses

Falsos
Pés.

Lavo.
Olho

O gigante
Dentro

De
Mim.

Sou
Eu mesmo,

Este
Gigante,

E
Ele

Dorme.
Tem

34
Anos

E
Fode

Com
Todas

As
Anas.

E quando
Eu

Digo
Anas,

É
Minha

Vontade

De
Foder

E
É

Com
Todas.

Louvo.
Louvo.

E oro.

Também
Olho.

Ó,
Ana,

Porque
Fazes

Isso
Comigo?

Largo
A

Mulher
Com

Seu
Misterioso

Ser.

Recolho-me
A

Um
Pátio

Misterioso.
Também

Eu estou
Misterioso,

E largam-me
Nesse pátio,

Nu
Em pêlo.

- Estou
Só,

Minha
Mãe.

Meu
Falo

Arqueia-se.
Olho-o.

Ele
Parece

Concentrar
Algo.

Sinto
Que

Vai
Explodir.

E,
De fato,

Escorre

Uma porra
Escura

E estranha.

É
Como

Se
Ele

Tivesse

Recebido
O beijo

Do mal.

Olho
Esse

Esperma
E o recolho.

São
Meus

Pensamentos
Maus.

Levo
De

Certo
Modo

Algum
Tempo

Até
Aceitá-lo.

Ligo
Essa

Substância
Lúgubre

Ao
Meu

Olho
E a adoro.

Levo-a
Com

Recato
À boca,

Para
Lhe

Sentir
O gosto,

E oro.

Ó, substância.

Ela
Esvazia

Meu
Cérebro

De
Certas

Imagens.

As
Bocetas

De mulheres

Falam

Ouro.
Agora,

Olho
Meu

Pau
E ele

Está
Caído.

- Fora
Arrancado.

A mulher
Que

Amo
O decepara

E o
Exibe

Como
Um troféu.

Mal
Tenho

Forças
Para

Gritar:
- Vadia!,

Filha
da puta!,

Eu
Quero

O
Meu

Pau.

E choro.
Choro

E como.
Chorar

Consola.
Comer,

Alivia.
Lembro

Da minha
Mãe,

Que
Me chamava

De
Marcus

(Como
No

Batismo
Sobre

A
Pia)

E
Me

Comia.

Ô,
Minha mãe.

Porque
Não

Me
Comes

Mais?

Lavo-me
Do

Sangue.

Aquele
Sangue

Também
Me

Expurgou
Algumas

Idéias
Sobre

Castidade.

Sinto
A traição

Da
Mulher,

Apenas
Preocupada

Em ter
Filhos

E dar
O seio.

Os
Homens

São
Seres

Decepados.

Levam
O

Meu
Pênis

E
Junto

A
Cabeça.

Logo
Haverá

Uma
Fileira

De
Mulheres,

Diante
Da qual

Se
Desfilam

As
Minhas

Partes.
O

Sangue
É

Ofertado,
Em

Nome
Da fertilidade,

E
Eu

Padeço.

Avalie
Uma

Mulher,
Mas

A
Avalie

Pelo
Útero.

Ali
Está

Um
Grande

Berro
Da natureza,

Como
Um

Bebê
Chorando

De
Fome.

A
Mulher,

Cega,

Não percebe
Que

Carrega
Na

Essência

Um
Grande

Apelo:

O grande
E

Infinito
Laivo

Do
Útero.

Cuspo
Agora

No
Chão

Daquele
Pátio.

Lavo
As

Mãos.

A
Soberania

Do
Útero

Me
Consola,

Me
Redime

Do

Meu
Próprio

Falo.


Não

Fodo.
Calo.

Os
Banhos

De
Sangue

Em
Nome

Da
Elevação

Da espécie.

25 Maio 2006


Momento


Olhem.
E

Esse
Olhar

É
Belo.

Estou
Misterioso

Como
Numa

Nuvem
De incenso.

Olhem.
E meu

Olhar
É longo.

Amanheci
E amareleci

No pé.
Estou tocado.

Tudo
Eu segurei

E foi
Do

Tamanho
Dos teus

Peitos,
Que me

Encheram
De alegria.

Abençoado
Olho,

E eu
Cresço,

Vasto.
Tenho

O teu
Tamanho

Se me
Ponho

Aos pés
Da jaqueira.

Aventura
Nupcial

Se lançou
Em mim.

Cruzo
Um deserto.

Os pais,
O pai,

Nos pediu
Esse feito.

Orem.
Tudo

É mistério.
Tudo

É perfeito,
Tudo

É
Perdoável.

Abro-te.
Você

Me é
A alegria

Dos
Olhos:

Rica
E forte,

Bons
Dentes.

Penso
No anel,

Penso
No anilhar-me.

Ocultas
Um segredo

De morte.
Anilhados,

Vamo-nos
Perdoar

Mutuamente.
Cuido

A hora
Do almoço.

Sei
Que vens

Coroar-me.
Eu já

Provei
De todo

Amargor,
Até intoxicar-me.

Arrancaram-me
O gosto

Como
Se me tivessem

Tirado
Os olhos

E o
Queixo.

Estive
A ponto

De
Cadáver.

Hoje,
Meu estômago

Se
Recupera.

Recebo
Teu

Beijo
E o sol

Volta
A me parecer

Eterno,
Bem como

O sossego.
A ponta

Do segredo
Repousa

Sobre
Nós,

Anjos
Tortos,

Decaídos
Na noite.

10 Maio 2006


Os ratos


De pêlos
E pés,

Os ratos
E suas patas.

Homem,
Quanto medo

No que tu
Passarás a ser.

O rato-homem,
Esse sinal

De pânico.
Quantos ratos,

Homem,

Te habitam
A cabeça.

Que consciência
É essa?

O rato
É frágil,

Suscetível
E feio.

Quanto
De rosto

Humano

(Eu não
Sou feio)

Há num rato.
Quanto

De ratos
Mo habitam.

Esgoto-
Homo.

Pai,
Salva-me

Com
Teu amor.

O horror
Do degredo.

Os sons
Do medo.

O sermos
Rato.

As profundas
Zonas

Da imaginação,

Que se
Referenciam

A si
Mesmas.

A zona horrenda,
Arrasada

Pela
Falta

De um espelho:

- Que me diga
De mim.

O quão
Humana

É minha
Mão.

O quanto
Recusei

Do que
Havia em

Mim:
Medo.

Lavo
Com minhas

Mãos.
Olho e sei.

O rato
Esconde-se.

É um ser fugido.
Não se ergue.

- Ergo-me.
Transcendo.

O olho

Do
Belo

Espanta
A imagem

Do rato
(O ser com medo).

O amor
Da bela

Faz-me
Crer

Na
Minha

Própria
Pureza.