15 Julho 2006


O Saci (mais uma do Risomá)


Si.


O si
De abrir

A boca.
Com

A boca
A ave

Me
Toca.

Nasço.
A

Ave
Boa.

Cruzo
A

Perna
No mato.

As
Pessoas

Não
Acreditam

Em
Mim.

A
Árvore

Que
Pula

E bate
Ao

Som
Do atabaque.

A
Cachoeira

Do
Som

Forma
O riso

Alegre
Do menino.

A
Alegria

Natural
Da cor.

Oro
Por

Teu
Cordeiro.

A
Função

Natural
De

Teus
Braços:

Abra-os.
O horizonte.

O recorrente
Universo

Encantado.
Um tupã

Duende.
Os

Traços
De

Um
Filho

Do
Senhor

De
Escravos,

A quem
Bate.

Um
Sinal,

Ói
Nóis,

Saídos
De

Um
Estranho

Laço.
A batida

Do
Som

É
Forte.

Não
Quero

Trabalho.
O riso

É forte.
Alvos

Os
Dentes.

Hoje,
O saci

As crianças
Encanta.

E é
Sábio

Querer
Cantá-lo.

Eu
Vi o sinal.

Queremos
Vê-lo:

O Erê
Do mistério.

Vinte
E um,

Século,
E

Aqui
Estou.

A
Estrela

Bate,
Orienta-nos.

O
Segredo.

Ó pai
Ligeiro,

Não
Desata-nos

Os
Pés.

Tenho
Fé,

Assim,
No

Que
Vejo.

Um
Deus

Menino
Que

Escapou
Da morte.

O sorriso
Ainda

É
Matreiro.

Senhor
Deus

Dos
Mutilados,

O perigo
Em vida

Cresce,
Mas

Não
Padeço.

A
Criança

Diz
Boa

Noite
Antes

De
Deitar-se.

Eu
Enterneço.


Tenho

Um
Olho,

Meio
Vaso

Sanguíneo.
Teu

Pai
Foi

Embora.

Ora,
Filho,

Que
O senhor

Deus
Das mais

Válidas
Proezas

Nos
Consola.

Arruma
Teus

Brinquedos.
Amanhã,

Teremos
Um oratório

Cheio
De velas.

Cada
Uma delas

Pingará
Teu medo.

Lança
No

Riacho
Teu

Papel
De barco.

Teu
Desejo.

A primeira
Onda

Te
Abate,

Mas
Já não

Vês
Motivos

De
Ter

Vergonha
Em

Sonhar.

Querendo,
O Saci

Voa.
E chega,

Como
Onda.

07 Julho 2006


O segredo


Aspirei
À bailarina.

Um homem
Que

Me segurasse.
Soltar

O corpo
Não é soltar

O verbo.
Com

O verbo
Morro

E rolo
De rir.

Esse
Que me escreve

É um
Palhaço,

Figura
Triste.

Gostaria
De pintar-se,

Como eu,
E pôr

Um vestido.
Quando

Pensa:
Chupem

Meu
Pau,

Quer
Na verdade

Ter
Seu pau

Comido
De modo

A que
Ele suma:

- Cadê
Meu pinto?

Olha,
Que doce

Menino,
Que

Palhaço
Mais

Triste.
E ele

Chora,
Chora.

Ruídos
Dentro

Dele
O espantam.

Vamos
Chegar

Mais
Perto,

Sem
Fazer

Barulho.
A bailarina

Encantada
Nele

Mora.
Como

Se apoderar

Desses
Mitos?

Transpiração
Rosa.

Agora
Vamos

Fazer
Mais

Um
Exercício

De
Ouvido.

Esse
Menino

Grita
Num

Adocicado
Suspiro

Que
Lhe alivia

O peito:
- Eu não

Sou gay...

O olhar
Enjoado

Do anjo
O alcança.

É avoado
Esse menino,

Irriquieto.
Seu mago

Interior
O fez

Subir
Castelos,

Castelos
Encravados

Numa
Montanha

De cristal.
O cristal

É caleidoscópico.

Imagens
Diáfanas

Cortam.
Estão

Aqui
Estas

Puras
Essências.

Marcus,
Agora

Olha-te.
Quem é a

Mulher
Esperada?

Não
É tua

Mãe,
A quem

Vozes
Estúpidas

Estilhaçaram.
Fixa-te

Neste
Recorte:

O homem
Bom

Traz
Pedaços

De
Pão a

Boca.
Tua

Bailarina
Ainda

É tosca.
Mas,

Marcus,
Acalma-te.

Percebes
Que te

Querem?
- E se

Não me
Quiserem?

Eu não
Vejo.

E se
Não me

Quererem?
Marcus,

Te dou
Um espelho.

Não.
Espelho dói.

- De que
Tens medo?

De ser
Igual

A meu
Pai.

Te dou
Teus pensamentos.

Tua
Escrita.

Te
Olha

Agora
Frente

Ao
Espelho:

Um
Palhaço

Se pinta.
- Ascendo.

Outro
Dia,

Marcus
Comeu

Uma
Puta.

O bordel
E suas

Estranhas
Alegorias.

A puta
Quer ser

Buscada.
Por isso,

Pinta-se.
Grudou-se

Ao
Menino,

Igualmente
Sensível

E pequena.
A puta

Falava
De boceta

Aberta.
Quem não

Quer
O mundo,

Encastela-se.
E aqui

Jaz,
A tal

Boceta
Isolada,

Cheia
De segredos,

Invadida
Por milhares

De arainhas,
Como

Uma
Casa abandonada.

Segredo:
Um amor

É tua
Chave.

Sabes:
A bela

Vai
Te acarinhar

Os cabelos.
Olhar

Bem
No cu

Dela.
Pode

Ser
Esse

O segredo.

01 Julho 2006

Pingo doce


Para Risomá Cordeiro e suas crianças




A verde
Orientação,

Com sabor
De verdade.

O sorriso
Do abacate.

Ouro
Sólido.

Criança,
O sólido

Sonho.
Gemer

Na paz.
Dá tua

Mão.
Cinamomo.

Pequenas
Bolinhas

Verdes
Excitam

O ser.
A saudade.

Pequeno,
O ser

Orienta.
Quantas

Bocas,
Mamilos.

Ali,
Verde.

As bolinhas
Pequenas

Como
Sinal

De excitação.
Outra vez

A água.
Pai,

Quero
Saber.

Mistério
És,

E preponderante.

Quero saber
Da água.

Preponderante.

Na verdade,
És o ponto.

Te alimentas
D’água,

Se
Pensarmos

Em cachoeiras
Da fala

Ou em
Rios

De discurso.

E o
Que

Mais me toca

É esse
Teu frescor.

A manhã
É coberta

De orvalho
E silêncio.

Renasço
E morro.

Criança,
Tens nos olhos

A crença.
Apoemia

De abacate.

Toda fruta
Exigirá

Boa sorte.
As águas

Te acompanham,

E também
Aplausos.

Criança,
Adormeça,

Olhos
Bem abertos

- Um pingo.

Criança,
Olho

Por
Teu sonho,

Buquê
Dourado

À mão.

Olhos
Lacrimejados,

Cobertos.

A criança
Não

Vê,
Nem

Sabe
Que

Se machucará.

Seu
Coração

Assim
Cai:

Pinguinho
Doce.

Cai
Como

Cai
O abacate.

Não
Há cheiro

De
Morte.

Acordei
No

Mato.
Perna

Comprida.
Meu

Avô
De mil

Anos
Disse:

- Estrelai-vos.

Peço
A ele

Doce,
O mel.

- Sua
Busca

Está
Nos olhos.

Onde?

Num
Beijo.

Na mão,
Na paciência.

- Lava-me
A cara,

Então, vô.
Não vou

Mais
Chorar.

Vou
Abrir

Meu
Castelo.

Sorriso,
Sorriso.

O ser
Ganha

Ao se
Orientar

Pelo
Lado interno.

Ouro
De dentro.