31 Outubro 2006



A morte do sexo


Ordenou-se o recolhimento de todas as moças.
Não haveria mais sexo.

- Queremos tuas coxas, sedentos, tua pele macia. Queremos tua menstruação.

O ovo bateu. É em mim que batem.
Dói a virulência carnal.
A mim, tiraram-me de dentro de uma fantasia.
Há sexo, muito sexo. É uma reprodução pura.
Oro-me calado aos pés da deusa.

Tudo o que cresci foi fodendo.

Pego seios em copas.
Passo a andar nu.
Meu horizonte tem forma de cópula.