30 Novembro 2006



Pátria



Pátria
Em

Que
Teus

Seios
Abriga.

Símbolos
E objetos.

Tua
Quebra

Duradoura,
Teu alicate.

Pátria
De me

Tresandar
E enrubescer.

Gostosa
Do gosto

Que
Quis,

Vertigem
Dos olhos.

Sou
Caetano

Suficientemente
Para

Dourar
Mesmo

Os
Cuspes,

Os
Cus,

As
Carcaças.

Pátria
Que

Me
Morde

E que
O sangue

Me
Suga:

Eu
Te perdôo.

29 Novembro 2006

Tudo está morto


Tudo está morto. Tudo está morto. Tudo está morto.
Porra! E como eu choro.
Como eu choro com esses devoradores de pão.
Vamos pedir nossas migalhas. Por favor, sigam-me.
Vamos subir este morro e cavar.
Aqui, a nossa espada:

- Eu quero a salvação da pátria!
- Eu quero a salvação da pátria!

Somos heróis do que não há. Do que absolutamente não há.
Vamos sobre a pátria distendida.
Carregamos nossos bolsões de miséria.
Nossas mãos cheiram à latrina.

- Quantos passam fome, aqui?

Você não sabe o que é dividir o pão.
Você não sabe o que é pouco.
Você não sabe o que é ínfimo.
Você não sabe. É preciso dizer: você não sabe.

Só eu aqui estou sabendo. Só eu estou aqui fodido. Venha me olhar nos olhos.
Por que você não vem se solidarizar comigo?
Por que você não toma um braço da minha pobreza?
Por que você não é um morto de fome?

Em definitivamente: você não sabe o que é o pior, aquilo que ninguém quer.
Conhece a miséria? Conhece nada.
Nunca conhecemos nada.
Você acha-se bonito,
Acha-se bom, dono de voto consciente,
Entendedor da massa.
Não. Você nunca sabe de nada.
Tem pouca afinidade com a experiência-pânico.
Quer saber o que é gente?
Quer conhecer o intrínseco do humano?
Seja merda, seja pobre, seja nada, o atirado ao vento,
O que passa e :

- Nojo!

Nada. Nada. Nada. Nada.
Pois que gente será sempre o contrário disso.
Nunca sabemos nada.
E você nunca toma a flor do mal pelo outro.
Raio de alteridade.
Vá se foder. Vá se explodir na parede como foi o outro.
Sim, quero ver isso acontecer.
Você não sabe o que é raiva.
Pare com essas florzinhas de consolação.
Vá beber o sangue do outro, vá!

Vá saber o que é dor tomando no legítimo cu, vá!
O legítimo se foder, vá!
Você não sabe o que é dor.
Nunca sabemos o que é dor.

Vão te atar para você saber o que é dor.
E só assim você saberá o mal.

A vida é uma violação carnal, tá sabendo?

Só que o ocorrido
É que nunca se
Consente a curra.

Lágrimas são arrancadas, filho,
E é a força,
A revelia
A estupidez.

- É. Vá se foder.

Vá se foder que eu te ensino a viver.

14 Novembro 2006



Édipo é pé de rima


Corto os olhos, com Édipo, porque sou poeta.

Édipo é pé de rima. Está bem ao pé delas.

Quem ouve a voz do poeta, quem fica ao pé da voz do poeta, poeta-se.

Há uma grande necessidade de beleza simétrica, colunas gregas, deusas puras.

O poeta ouve, ah, como ouve.

Sempre que eu lhe disser "ouve poeta" é porque há um estado em nós, afinado em nós, que é ouvinte.

Eu tenho sinos para tocar.

Há uma grande necessidade de beleza simétrica neste mundo.

06 Novembro 2006

Descrever-te


Descubro que você me solta a imaginação. Quero-te com os dentes: para mim. Isso exige te cantar, te descrever. Você mesma, em si, não é nada. Há um livre-arbítrio.

Passo-te e te passarei para as novas gerações.

Situação homem e mulher. Extremo recato.

Voarei para que você se veja no futuro.