30 Novembro 2007
26 Novembro 2007
O negro homérico

A mulher reflete um céu poético abissal
Dicionarizado longinquamente em formas puras.
O oco uterino reflete esta essência constitutiva.
Os mênstruos sempre indicam atavismos.
Mancham o tecido como sinal ardente.
O feminino chegando aos templos da razão
Resultará em nautas de saias que não buscam
O celestial porque já o tem dentro de si.
O segredo é interno.
O negro se tornará homericamente cego.
23 Novembro 2007
A rádio - 1 (trecho)
20 Novembro 2007

Mãe douta, dormindo, minho meu, voraz,
Me ajuda a visitar mantinhos gostosos
Do que se faz com a boca.
Me ajuda a visitar mantinhos gostosos
Do que se faz com a boca.
Masco chiclets dos outros.
Adjetivo meu, melhoro o som dos teus mimos.
Sou a mãe do nome Nhanhã.
Nome Nhanhã, nome Nhanhã.
Materno meio, aquífero.
Sinto mimos maternos.
Nhanhã. Nhanhã.
Ritos maternos, rotativos.
Gordinhos.
Misteriosamente marítimos.
Adjetivo meu, melhoro o som dos teus mimos.
Sou a mãe do nome Nhanhã.
Nome Nhanhã, nome Nhanhã.
Materno meio, aquífero.
Sinto mimos maternos.
Nhanhã. Nhanhã.
Ritos maternos, rotativos.
Gordinhos.
Misteriosamente marítimos.
Na foto, Guimarães Rosa, inspirador destes versos.
19 Novembro 2007
A biblioteca (trecho)

Estou
Aqui.
A
Biblioteca
Cora,
Moça
Bonita.
Decifras.
Ainda
Assim,
Me
Devora.
Há
Um rasgar
Da
Pena.
Oro
Com
A cabeça
Atravessada
Entre
Livros.
Devora-me,
Moço
Bonito.
Teu
Cordão
De
Pontos,
O teu
Traço,
Aqui
Onde teu
Fruto
Me
Parte.
Ó fruto
Delicado,
Cor
De ardósia,
Ácido,
Corroente,
Fruto
Ótimo.
Há
Que se
Plantar
Vinhas,
Hortas.
Acredita:
Entro
Por tua
Boca.
A serpente
Não
Me enrola.
Abra-me
Tua
Porta,
Ó minha,
Porque
Estou
A mirar-te.
Aqui.
A
Biblioteca
Cora,
Moça
Bonita.
Decifras.
Ainda
Assim,
Me
Devora.
Há
Um rasgar
Da
Pena.
Oro
Com
A cabeça
Atravessada
Entre
Livros.
Devora-me,
Moço
Bonito.
Teu
Cordão
De
Pontos,
O teu
Traço,
Aqui
Onde teu
Fruto
Me
Parte.
Ó fruto
Delicado,
Cor
De ardósia,
Ácido,
Corroente,
Fruto
Ótimo.
Há
Que se
Plantar
Vinhas,
Hortas.
Acredita:
Entro
Por tua
Boca.
A serpente
Não
Me enrola.
Abra-me
Tua
Porta,
Ó minha,
Porque
Estou
A mirar-te.
Cabelo
14 Novembro 2007
13 Novembro 2007
Guio a minha própria serpente
Guio
A minha
Própria
Serpente.
Há
Visões
De
Filhos.
Se
Expio,
É porque
Não
Houve
Acerto.
Que
Mão
Me
Move?
A mão
De providenciar
Espelhos.
Sou
Eu
Quem
Me
Pinto.
E
Vos
Alimento.
Estive
Esticado,
Formando
Feridas
Purulentas.
Agora
Esqueço.
O beijo
Do pai.
Olham-me
E não temo.
Um homem
Tocado
Pelo
Tempo
Perde
Seu olhar
De
Virgem.
A mim,
Perverteram.
Não
Me tomaram
Num
Cálice.
O coito
Foi fodido.
Há
Algo
Enfiado
Cu adentro.
Algo
Que
Não
Quero.
Mas
Agora
Sou
Forte.
Meu
Cavalo
Alcança.
Fodam-se
Os espanhóis.
O espírito
De
Cruz
Trouxe-me.
Já é hora
De
Verter
Um
Novo
Ataque.
Oriento.
Vós
Sois
Cordeiros.
Eu sou
O pai.
A minha
Própria
Serpente.
Há
Visões
De
Filhos.
Se
Expio,
É porque
Não
Houve
Acerto.
Que
Mão
Me
Move?
A mão
De providenciar
Espelhos.
Sou
Eu
Quem
Me
Pinto.
E
Vos
Alimento.
Estive
Esticado,
Formando
Feridas
Purulentas.
Agora
Esqueço.
O beijo
Do pai.
Olham-me
E não temo.
Um homem
Tocado
Pelo
Tempo
Perde
Seu olhar
De
Virgem.
A mim,
Perverteram.
Não
Me tomaram
Num
Cálice.
O coito
Foi fodido.
Há
Algo
Enfiado
Cu adentro.
Algo
Que
Não
Quero.
Mas
Agora
Sou
Forte.
Meu
Cavalo
Alcança.
Fodam-se
Os espanhóis.
O espírito
De
Cruz
Trouxe-me.
Já é hora
De
Verter
Um
Novo
Ataque.
Oriento.
Vós
Sois
Cordeiros.
Eu sou
O pai.
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