13 Maio 2008

A Negra Ama Jesus


Ó marinheira.
A estrada recebe
Homero rei do cruzamento.
A minha rosa vestimenta
É começo do porto de poesia.
Ora ó musa da brasileira
Brisa inacabada.
Rendas de nossas rodas
Revitalizam o poder da bruma.
Ó negra ama,
O cristo retira o casto elemento.
O cristo revela-se sempre novo
E cruz antiga.
O negro a negra bica
Sempre em armadilhas uterinas.
Saberemos de um Dionísio
Menos cruel em seus ritos.
O segredo alenta o alvo.
É belo o seio da moça cirandeira.
Há leite de Creta e os beijos da virgem.
O manto anuncia vossos pandeiros mágicos,
Negras entre mamelucas e sereias,
Guerreiras suburbanas e revoltas.

O Brasil abre um novo dogma:
Mulheres nuas e onde o léxico é
Mênstruo e voz.
A corda mágica é bela e bastante comprida.
A senda leva às três cozinhas,
O mito pede panteísmos e cruzamentos.

Ó ritmo frenético do jeito jongado,
Do velho povo.
Ensina-me o passo entre a missa e o gozo,
Entre o anjo e a bunda,
Entre o homem de armas duras e o coito real.
A minha cega velha misteriosa arteira
Anima o sonho.
É negra ama jesus: cobra onírica.
Os mulatos em seu manto escrevem com doçura:
"O cristo novo é negro gigante e passista".
O cordeiro alimentará o povo.

0 comentários: