15 Maio 2008

Árvore


Meio maior,
Moça silenciosa,
Loucura que arde,
Voraz vertigem,
Mulher do espanto,
Olho de deus,
Vestido de noiva
Pronto a desposar-me.
Vasta árvore,
Augusta e vista como casa.
Calo minhas doloridas marias,
Todo o trem de minha família,
Quando produzes em mim
O teu consolo.
A loja de poesia aqui encontro.
O lobo marinho aqui encontro,
No olimpo galhado de tua fronte.
Mastro alto do navio possante.
Marujo interno que me conduz,
A árvore mais alta de um lugar
É sinônimo de "avante!"

Marulhos do mar em mim,
Amazônica certeza.
Com docilidade
E vozes
Que falam em forma
De um grosso ombro
A que nos encostarmos,
Esta árvore é
Moisés ajudando a cruzar
O Mar Vermelho.
Sonha-se o mito.

13 Maio 2008

A Negra Ama Jesus


Ó marinheira.
A estrada recebe
Homero rei do cruzamento.
A minha rosa vestimenta
É começo do porto de poesia.
Ora ó musa da brasileira
Brisa inacabada.
Rendas de nossas rodas
Revitalizam o poder da bruma.
Ó negra ama,
O cristo retira o casto elemento.
O cristo revela-se sempre novo
E cruz antiga.
O negro a negra bica
Sempre em armadilhas uterinas.
Saberemos de um Dionísio
Menos cruel em seus ritos.
O segredo alenta o alvo.
É belo o seio da moça cirandeira.
Há leite de Creta e os beijos da virgem.
O manto anuncia vossos pandeiros mágicos,
Negras entre mamelucas e sereias,
Guerreiras suburbanas e revoltas.

O Brasil abre um novo dogma:
Mulheres nuas e onde o léxico é
Mênstruo e voz.
A corda mágica é bela e bastante comprida.
A senda leva às três cozinhas,
O mito pede panteísmos e cruzamentos.

Ó ritmo frenético do jeito jongado,
Do velho povo.
Ensina-me o passo entre a missa e o gozo,
Entre o anjo e a bunda,
Entre o homem de armas duras e o coito real.
A minha cega velha misteriosa arteira
Anima o sonho.
É negra ama jesus: cobra onírica.
Os mulatos em seu manto escrevem com doçura:
"O cristo novo é negro gigante e passista".
O cordeiro alimentará o povo.

12 Maio 2008

A guerra da palavra (trecho)


O artista é ave na língua.
Arde o medo na língua.
A guerra árvore barriga.
A guerra anterior ao sexo.
Quando a negra era o belo.
Quando a casa era a negra.

O raio acende o rei.
Dionísio ora
Por homens
Em pares com mulheres.
Arderá o resultado
Das guerras de coqueiros.

Arte do cocar arbusto:
Acender o par guerreiro
Em tropas artísticas
E euforias rítmicas.
Ê-ê-iô era ie-iê-ieô.
A hora clara nosso pai.

Úmida palavra
Em linha reta.
Letra e lira,
Arcanas do bardo brasileiro.
Vossa mãe
É nina e nanã.
Na foto: Orixá feminino Oiá