30 Junho 2008

Sabedoria estelar





Como o pranto desses alunos
Cresce quando sereno.
Alimento guerreiros
Onde exibem-se luas.
O emblema provoca
Liturgias melhor corporificadas.
É ema dionisíaca,
É elegia coralina.
O gutural em mim,
A coleção de murmúrios.


Aluno beijando a aliança.
O mestre antecipa o preto menino
Em posição de glória.
Redenção oriental de cristo
Mênstruo-parteira
Índio hora navegável.
Pode o negro mito enevoado
Pontiagudo enamorar-se.


O meu lento alvorecer
Lembra o boi bezerro.
O caligrafista enaltece o cerrado.
Seremos antiga região
Povoada por bebês
Felizes e ninados
Pela sabedoria estelar.

14 Junho 2008

Chapéu



O chapéu amarelo
Em mim entrava
Como um cais de porto.

Eu era vestido
E plumas
Naquele céu.

Quanto sabedoria
E pertencimento.
Quanto Deus nos acuda.

Eu havia, sim,
Recebido a graça
Do chapéu.

Sobre ele,
E em mim,
Girava o céu.

Adorava tê-lo.
Era uma
Experiência,

Era uma
Grande
Eclosão musical.

Eu me
Findava
Em pô-lo.

Sob o
Que
Eu era antes

Esse era o braço.

Agora recebo
Com divina glória
O chapéu.

Aconteça
O que estiver
Acontecendo,

O chapéu
É nosso lume.
Nos orienta.

Cabelos


Sonhos
Desapegos
Fios que ligam à terra.


Uma poética
Pros cabelos.


Fios do braço.


Apaixonadas bocas:
A poética atrai.


Olhos vistos:
A poética assombra.


Vou-me, nu.
Nu, sou.


E fala-se com o sexo,
Derradeiro.


Ponho
Porque quero
Alado, analmente
Alado
Asas de anjo.


Tenho beijo.
Querê-lo é delicado.


Nus em pêlo,
Corremos.


Saber não é delicado.
Mas os olhos têm medo.


Queda-se a boca,
Curiosa.


Tem por ódio a si.
É o degredo.


Agora salta-se
Uma borboleta:


“Ó, quão bela!”


Cumpre-se
Que guardará segredo.


Amor,
Poesia,
Mistério.


Sou teu servo servo.


Meu sexo
Como uma violência


Sou sobre o qual
Te assentas.


A ti
Todos
Virão
Pedir
Paz.
Ilustração: Mulheres correndo na praia, Pablo Picasso

01 Junho 2008

A docilidade dos sobrados


O maio é o mês da nupcialidade, que no Brasil torna-se uma nupcialidade violenta, mas brejeira. O branco curra índias e negras, cativo desta sensualidade. O Brasil é o poema resultante desta situação. O que busco esteticamente é adoçar os sobrados. As donzelas ficarão negras e assim prenderão seus maridos em casa. Eu orno, ao mesmo tempo, a nossa boca do lixo.