13 Novembro 2008

América online


É bom tudo isso que se vê na internet. Mas como mensurar? Prevejo uma onda reprodutiva muito grande. Não se deve ter medo.
Fica evidente que o mundo se transfere para a rede. O que deve orientar nossas perguntas refere-se ao medo, como o medo de que se exploda uma bomba. Não haverá mais conhecimento, mas apenas vontade de reprodução, explosão do ser, desde o ser mais banal, até o mais sofisticado. Oportunidade de existir.
Talvez seja este mesmo o grande aporte da rede. Vejo meninas se desorientando, pelo desapego. Uma nova prostituição, onde, o que se vende, é a imagem. O que a loja virtual oferece é uma caça homérica a um novo bastante pleno. Estaremos todos com estas crianças. Novas homenagens ao navegador humano.
O que é humano, é novo. O que é nosso, é uma bênção. América que se deslinda, online, e antiga, como uma aspiração Inca.
Na ilustração, uma múmia Inca

12 Novembro 2008

Oficina "Mito, Comunicação e Rock'n'Roll"


A luz do abacate. São tantas as imperfeições. Acho que, quando desisti de escrever, passei a ouvir mais Deus, essa luz, tão forte. De fato, não há nada mais que nos faça calar. Somos tão bobos, e papagaios, querendo beijos, e afagos. Quando encontrei a poesia? Numa concha, escura, pérfida, marulhante, musical. O poeta se afasta. Quem é ele? Ou melhor, quem o domina? Um santo, só pode ser... um santo.

Oficina sobre "Mito, Comunicação e Rock'n'Roll". Sexta-feira, 14, às 19h, na Faculdade Araguaia. É tão bom estar no espaço público. O que esperar de um evento desses? Essa noite sonhei com coisas atravessadas, que amassavam, rasgavam e jogavam fora os sonhos dos meninos. Quero brincar com a moçada. Acho que a educação começa por aí. Mas vejam, agora já sou um homem sério, tenho uma nação como filhos, e a capoeira. Vou querer mostrar, nesta oficina, que o jogo brasileiro não é pior que o americano. Nem vice-versa. Quem viver, haverá, de saber.

09 Novembro 2008

As guerras entre artistas


Para Sílvia



Guerra sertaneja,
Quanta honraria e literatura.
Horda marinha,
Calor e cordura.
Animus e anima,
Vício helênico.
Logos de saia,
Anjo de doçura.
Moreno tinge sua artista Soraia.
Olha a voz e o seu demônio interno.
Ó vulto de guerras entre artistas,
A guerra mais sublime.
Carabinas enfeitadas,
Mas precisas,
E certeiras.
O diabo é o belo em nós.
Domino este jagunço,
Um Riobaldo menim
Que fazia versos.
Ave Cristo, e por tudo
Que há de angélico em nós.
Conheço sertões místicos
E mambembes de circo.
Conheço peões amalgamados
E querendo vida boa.
Soraia, vincos de
Teus laços quieto-ardorosos.
Vinho, frutas, minas de brotação.
Soraia guerreira,
Faz de teu ventre o mito arqueiro.
Ventre abaloado.
Da sua vegetação cerrada crescem
A vida,
A lágrima
E a linha do front.

O sentido oleoso da negritude


O poeta é negro no sentido oleoso da negritude. Óleo combustível gerador de energia e também lubrificante. O coito padeceu por séculos da interdição católica. No Brasil, o combustível negro permite ócio e sexo farto ao branco. O coito torna-se algo possível de se fazer sem culpa, já que os negros eram considerados sem alma. Sem saber, o branco torna-se cativo dessa brandura. O povo nasce em meio ao gozo e cultiva então a alegria como característica nacional. O poeta, apesar de ter consciência plena da morte, precisa ser capaz de gozar do mesmo modo que esse modelo de brasileiro sem culpa. O amor acende o coração do poeta. O andrajo é função do poeta, o rumo ancestral convoca o poeta à navegação abissal. Amar o perigo disso tudo reflete o inconsciente mítico.

02 Novembro 2008

Origem (era Homero esta Negra)


Era
Homero,


Esta
Negra.


O raio
A partiu


Em
Línguas.


Era

Enfeitada


Em
Música.


O mar
A dividiu


Em
Liras.


O coração
Apita.


O céu
Acende.