20 Janeiro 2009

Esporão negro, revelai teu povo



Nego escuro-queimado,
Fogo de labareda,
O dono do mato é teu rei:
Quero tua pilastra.
Fostes crucificado,
Negro escuro do mato.

Sonho com isso:
A pele escura.
Cor do mito angélico,
Nova Jerusalém foi a Bahia.
A gostosa culpa dos padres
Endomoniando-se, pelados
E cativos da sensualidade
Índia e negra.

Ah, escuridão marítima.
A cruzada portuguesa rodou o mundo.
Massa inculta e franca,
Toda a tua laica vertigem
É sabedoria celeste,
Teu santo currar-se,
Tua alegria boba.

A moça é receptáculo da cruz.
A malícia urbana me sublima.
Há mortes de galos na cruz.
Esporão negro, revelai teu povo.
Seu manto se faz de latas e
Sem-nomes de pequenos entulhos,
Em escala industrial.

1 comentários:

Graça Carpes disse...

Menino de alma de América...Você!
:)