06 Junho 2009

A verdade da ilusão


Não te
Iludo.

Há mais
Do

Que
Verdade

Em
Minhas

Mãos.
Deus

À verdade
O abismo deu,

Mas para
Não

Espalhar
Sangue

Em
Nossas

Mãos,
Recriou-nos

Na
Verdade

Da ilusão.
Na foto: pintura em cabaça, por Sílvia

05 Junho 2009

O tímido

Ouço
As

Vozes
E

Os ventos
Me atrapalham.

O
Peso

Da
Morte,

Um
Posso

Pouco.
É

Uma confusão
Fazer

Meu próprio
Retrato.

Posso,
Pai!

Não,
Não

Serás
Bonito

Moço.
Careço

De
Um

Não-olho.
Olho,

Ouço
E me

Despedaço
Em

Medo.
Ver

Orienta
E és

Por demais
Consciencioso.

O
Homem

Tímido
Não

Sabe
Da sua

Beleza.
Imagina-se

Pelado
E

Com
O pau inibido.

Não
Foi

Comer
A

Mãe
E da

Língua
Lhe

Sai
Fogo.

Fogo
Nos

Olhos
E

Por detrás
Do

Pensamento.
Você

Não
Dirá

O que
Quer.

Nem
Tua

Volúpia
Conquistará

O
Mundo.

Eu
Te condeno

A
Sufocar

Teu
Orgulho.

Olhai
O que

Te acompanha:
É

Teu medo.

Filosofia no bater da lata

Devido à sua pertinência, reproduzo trecho de artigo que publiquei neste blogue, no inicio de 2007. Saudoso texto, que reli hoje. Nele, estão minhas impressões sobre o batuque brasileiro, redigidas depois de participar de uma oficina de percussão em Porto Alegre/RS:


"A lata humaniza. Bater, hoje em dia, já não é mais ir embora, para se fazer a guerra, mas recolher-se aos quintais do paraíso da mulher, que já não é serpente, mas ninho de aves sensíveis e educadas, filosóficas - local de um modo afetivo de dominar o mundo."


Este dominar feminino do mundo é que me intriga. Como homem, confesso: não é simples entregar o poder às mulheres. No entanto, resta entender. Nos falta justamente, para tanto, uma filosofia do bater da lata, anterior ao verbo. Algo homérico e animalesco, ao mesmo tempo. Um pedido de passagem.

02 Junho 2009

Fogo letal homérico do lado lusíada

Léxico gostoso e profundo
De geraes que não conheço.
Glosa aumentada,
Festa de retalhos e de pássaros simples.
Pássaros verdes de perto da fonte.
Fogo letal homérico do lado lusíada,
Lento no ardor,
Requerendo pastos para o teu gado.
Conheci minudências.
Conheci guerras, o vértebro alheio.

Conheci Rosa.
O Rosa rês sonora.
Ô Rosa,
Pelo literal,
Cego místico,
Sertão marinho.
O largo está no canto
E no curral.
O vasto é místico querer:
Mulher-vaca.
A vaca sorrindo,
O maior anseio.

Retive nos bentos pastos
O sorriso retilíneo de
Um Rosa-vaca.
Gosto do mundo,
O cheiro de um querer de Dionísio.
Colo quente do mundo,
Festa quente,
Cabeça nua de beato crescendo,
Colo dionisíaco.
Crostas de ritos:
Louvações menos sacras,
Mais profanas.
O deus no meio da rua,
Entre coxas fogosas.